🫀 Aula navegável • PMI perioperatório • TEC 2025

Infarto perioperatório:
sem drama, sem neblina, sem esquecimento

Conceito central, história cinematográfica, palácio da memória, algoritmo clínico, pegadinhas, flashcards, questões e quiz estilo TEC.

André Rossanno
Ideia central
PMI é silencioso Na maioria das vezes, o paciente não vai gritar dor torácica. Quem fala é a troponina.
Marcador-chave
Troponina Monitorar no pré-op e no D1 e D2 do pós-op em pacientes de risco.
Pegadinha clássica
Nem toda elevação é tipo 1 Tipo 2, por desequilíbrio oferta-demanda, é o monarca do perioperatório.
Conduta-mãe
Tratar a causa Anemia, taquiarritmia, hipotensão, sepse e IC entram no palco primeiro.

🎯 Conceito central

O infarto ou injúria miocárdica perioperatória é traiçoeiro. O paciente operou, está sedado, analgesiando, com dor incisional, e o coração pode estar sofrendo sem o clássico teatro do IAM.

Definição tatuada na memória

PMI é a injúria miocárdica detectada no período perioperatório, identificada por elevação de troponina com dinâmica compatível, frequentemente na ausência de dor típica.

Frase-âncora: no perioperatório, o paciente pode ficar mudo. A troponina não.

O que mais cai no TEC

  • É frequentemente silencioso.
  • O marcador mais importante é a troponina.
  • ECG ajuda, mas não é o único farol.
  • IAM tipo 2 é mais comum que tipo 1 no perioperatório.

🎬 História cinematográfica

Use essa cena mental antes da prova. Ela organiza todo o raciocínio e transforma fisiopatologia em imagem viva.

O centro cirúrgico se apaga. O paciente chega ao pós-operatório em silêncio. A analgesia cobre a dor, a incisão distrai o examinador, a anestesia apaga a narrativa. Enquanto isso, a hemoglobina cai, a frequência sobe, a pressão balança e a coronária entra em dívida. No palco não há peito apertando, não há grito, não há gesto clássico. Só um laboratório pequeno e preciso levanta a mão no escuro: troponina. Ela é a testemunha ocular do crime.

🏰 Palácio da memória

Visualize três salas. Caminhar por elas é praticamente revisar a aula inteira sem olhar papel.

1

Sala do pré-operatório

Paciente de risco entrando na cirurgia. Na porta há um tubo brilhando: troponina basal.

Pré-op: colher troponina e ECG nos pacientes de risco em cirurgia não cardíaca de risco intermediário/alto.
2

Sala do pós-operatório

Dois relógios pendurados: D1 e D2. Em cada um, nova coleta de troponina e novo ECG.

A monitorização seriada é o detector de incêndio que toca antes da fumaça clínica aparecer.
3

Sala do detetive

Uma lupa enorme: delta absoluto + valor acima do percentil 99.

Sem dor não exclui. Sem supra não exclui. A prova ama essa pegadinha.

🧪 Diagnóstico e monitorização

A troponina reina, mas contexto e dinâmica decidem o sentido do achado.

Monitorização no perioperatório

🩺
1. Identifique quem merece vigilância

Pacientes de risco intermediário ou alto em cirurgia não cardíaca de risco intermediário/alto.

🔬
2. Colha troponina

Pré-operatório, primeiro e segundo dia do pós-operatório.

📈
3. Faça ECG

Pré-op, D1 e D2, interpretando no contexto clínico e metabólico do pós-op.

Como pensar o diagnóstico

  • Pesquisar variação absoluta da troponina.
  • Verificar se há pelo menos um valor acima do percentil 99.
  • Ausência de valor basal não destrói o diagnóstico.
  • Usar sintomas, ECG, Hb, eco e contexto para distinguir tipo 1, tipo 2 e causas não coronarianas.
Detalhe de prova: o diagnóstico perioperatório é mais fisiológico do que dramático. Menos narrativa de dor, mais leitura objetiva do dano miocárdico.

🚦 Algoritmo clínico mental

Fluxo simplificado para memorizar e aplicar rapidamente.

Troponina subiu
no perioperatório
Avaliar clínica,
ECG e hemoglobina
Supra de ST, infra com angina
ou quadro compatível?
Pensar IAM tipo 1
Estratégia invasiva +
antitrombótico s/ risco sangramento
Sem quadro claro de tipo 1?
Buscar causa não cardíaca
ou cardíaca não coronariana
Taquiarritmia
IC aguda
Anemia
Hipotensão / Sepse
Corrigir causa base
e otimizar clínica
Estatina + individualizar
investigação coronariana
Regra de bolso: no perioperatório, primeiro pergunte se é placa rompida ou coração sofrendo por desequilíbrio oferta-demanda.

💣 Pegadinhas de prova

Aqui mora a banca. Essas frases se vestem de verdade elegante, mas tropeçam na lógica clínica.

"Sem dor torácica, então não é infarto."
Errado. O IAM perioperatório costuma ser silencioso por analgesia, anestesia e dor incisional.
"Troponina alta sempre significa IAM tipo 1."
Errado. No perioperatório, tipo 2 e outras causas de injúria podem ser mais prováveis.
"ECG sem alteração exclui infarto."
Errado. O ECG pode ser pouco sensível e sofrer ruído de taquicardia e distúrbios do pós-operatório.
"A conduta inicial é sempre dar antiplaquetário."
Errado. Há contexto cirúrgico e risco de sangramento. P2Y12 pode ser melhor definido após anatomia coronariana.
"Anemia no pós-op é detalhe de laboratório."
Errado. Em PMI, anemia participa do desequilíbrio oferta-demanda. Hb < 8 g/dL puxa transfusão visando Hb > 8 g/dL.

💊 Tratamento e raciocínio prático

O tratamento depende da cara do inimigo. Nem todo PMI veste a armadura de síndrome coronariana tipo 1.

🔴 Quando pensar em tipo 1

  • Supra de ST.
  • Infra de ST com quadro isquêmico convincente.
  • Maior suspeita de ruptura de placa e trombose.
Estratégia mais invasiva, com cateterismo e terapia antitrombótica conforme equilíbrio isquemia/sangramento.

🔵 Quando pensar em tipo 2

  • Anemia.
  • Taquiarritmia.
  • Hipotensão.
  • Sepse / inflamação sistêmica.
  • Insuficiência cardíaca aguda.
O centro da conduta é corrigir a causa. Não adianta caçar trombo se o coração está seco de oferta.

🟡 Pérolas do perioperatório

  • Estatina entra cedo como otimização.
  • Clopidogrel pode ser preferível entre P2Y12 em alguns contextos.
  • P2Y12 pode ser melhor individualizado após o cateterismo.
  • Investigação não invasiva pode ser feita antes da alta ou ambulatorial, conforme estabilidade.

🧠 Flashcards interativos

Toque nos cartões para virar. Revisão rápida antes da prova.

Flashcard 1
Qual é o principal marcador do PMI?

Toque para ver.

Resposta
Troponina

Monitorização seriada no pré-op, D1 e D2 do pós-op, nos pacientes de maior risco.

Flashcard 2
O IAM perioperatório costuma dar dor típica?

Toque para ver.

Resposta
Na maioria das vezes, não

É frequentemente silencioso por analgesia, anestesia e confusão clínica do pós-op.

Flashcard 3
Qual tipo de IAM é mais comum no perioperatório?

Toque para ver.

Resposta
IAM tipo 2

Predomina o desequilíbrio entre oferta e demanda de O₂, não ruptura de placa.

Flashcard 4
Quais causas devem ser perseguidas primeiro no tipo 2?

Toque para ver.

Resposta
Anemia, taquiarritmia, IC aguda, hipotensão e sepse

São os motores do tipo 2 no perioperatório.

Flashcard 5
Quando considerar transfusão no PMI?

Toque para ver.

Resposta
Hb < 8 g/dL

Transfundir visando Hb > 8 g/dL, quando anemia for causa contributiva do desequilíbrio isquêmico.

Flashcard 6
ECG normal exclui PMI?

Toque para ver.

Resposta
Não

O ECG ajuda, mas não é soberano. A troponina seriada e o contexto pesam muito mais.

❓ Questões comentadas

Tente responder mentalmente antes de abrir o gabarito.

1. Paciente de 72 anos, D1 de pós-op de cirurgia abdominal, sem dor torácica, troponina elevada, ECG sem supra. Qual é a melhor atitude inicial?

Resposta: investigar causa e otimizar clínica. Não presumir IAM tipo 1 de saída. No perioperatório, tipo 2 e outras causas são muito prevalentes.

2. Em paciente de risco intermediário ou alto em cirurgia não cardíaca de risco intermediário/alto, quando monitorar troponina?

Resposta: no pré-operatório, no primeiro e segundo dia do pós-operatório.

3. Qual alternativa melhor representa o IAM tipo 2 perioperatório?

Resposta: desequilíbrio entre oferta e demanda de O₂, com gatilhos como anemia, taquiarritmia, hipotensão, sepse ou IC.

4. O que mais pesa a favor de IAM tipo 1 no perioperatório?

Resposta: quadro mais francamente isquêmico, supra de ST ou alta suspeita de ruptura de placa, lembrando do risco de sangramento.

5. Pós-op com troponina elevada, taquiarritmia e Hb 7,2 g/dL. Qual o raciocínio?

Resposta: pensar fortemente em mecanismo tipo 2 e corrigir as causas precipitantes: controle do ritmo/frequência e correção da anemia.

🧠 Quiz TEC – PMI Perioperatório

8 questões no estilo real do TEC. Escolha a alternativa e veja o feedback imediato.

Questão 1 de 8 ✅ 0   ❌ 0

⚡ Revisão de 10 segundos

Lê uma vez e fecha como quem fecha um bisturi após corte limpo.

PMI é frequentemente silencioso
Troponina é o farol principal
Monitorar pré-op, D1 e D2
Tipo 2 costuma ser mais comum
ECG ajuda, mas não exclui
Corrigir anemia, arritmia, IC, hipotensão, sepse
Tipo 1 exige estratégia mais invasiva
P2Y12 deve respeitar risco de sangramento
Frase final: no perioperatório, o infarto não costuma bater na porta. Ele passa pelos fundos, em silêncio, e a troponina acende a luz do corredor.